As visitas missionárias

O Senhor Jesus enviou seus discípulos “à sua frente, a toda cidade e lugar para onde ele mesmo devia ir” (Lc 10,1).

Prezados irmãos e irmãs da Igreja de Deus que se faz presente na Diocese de Jundiaí:

Um dos grandes apelos da Igreja na 5ª Conferência do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, realizada em Aparecida (SP), no ano de 2007, foi a necessidade de uma Igreja em estado permanente de missão. Diante da realidade que nos desafia como discípulos missionários de Jesus Cristo, percebeu-se que a resposta da Igreja estaria no resgate daquilo que lhe é essencial: a sua dimensão missionária, herança recebida dos Apóstolos. A maioria dos nossos cristãos e cristãs não foi suficientemente evangelizada. Isto requer o compromisso missionário de toda a Igreja, que precisa sair “ao encontro dos afastados, interessando-se por sua situação, a fim de reencantá-los com a Igreja e convidá-los a novamente se envolverem com ela” (cf. DAp, n. 226, d) e com a Pessoa de Jesus Cristo. O mandato missionário de Jesus é bem claro: “Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações… Ensinai-lhes a observar tudo o que vos tenho ordenado (Mt 28,19-20). Estas palavras de Jesus e a situação atual de muitos cristãos que ainda não experimentaram a extraordinária alegria de viver a presença do Evangelho em suas vidas coloca “a Igreja em estado permanente de missão. Levemos nossos navios mar adentro, com o poderoso sopro do Espírito Santo, sem medo das tormentas, seguros de que a Providência de Deus nos proporcionará grandes surpresas” (DAp, n. 551).

Uma das maneiras mais eficazes de tornar a Igreja em estado permanente de missão são as visitas missionárias. Sem descuidar da atenção aos mais próximos, a Igreja deve sair ao encontro dos que estão afastados. Muitos desses nossos irmãos esperam o chamado do Senhor através dos cristãos que, assumindo de forma missionária seu Batismo e Confirmação, vão ao encontro dos que se afastaram da comunidade, visitando-os em seus lares, nos locais de trabalho e outros ambientes. Quando a Igreja vai até as pessoas em nome de Jesus, muitas poderão voltar a ela e dela participar, porque se sentirão lembradas, acolhidas e amadas. É uma doação recíproca: é preparar os caminhos para que “o Senhor que está à porta, batendo para entrar” (cf. Ap 3,20), possa encontrar acolhida calorosa e permanente na vida daqueles que ele ama e lhe pertencem.

Na História da Salvação a visita ou visitação assume uma importância singular. No Antigo Testamento a visita de Deus ao seu povo é um fenômeno frequente. Deus visita o seu povo, enviando-lhe profetas e mensageiros para falarem e agirem em seu nome. O Salmista afirma: “Lembra-te de mim, Senhor, pelo amor do teu povo, visita-me com teu auxílio salvador” (Sl 106[105],4), pois a visita de Deus sempre traz ânimo, força e consolação. Deste modo, a visita de Deus no Antigo Testamento desperta o seu povo para a realização da salvação futura, quando o próprio Deus virá morar no meio de nós.

Já no início do Novo Testamento narra-se como Deus visitou a terra por meio do Arcanjo Gabriel, anunciando a realização das maravilhas “prometidas aos nossos pais” (cf. Lc 1,55) a uma jovem da cidade de Nazaré. Maria acolhe esta visita de Deus, tornando-se a primeira receptora e portadora do Verbo de Deus que “se fez carne e veio morar entre nós” (Jo 1,14). Logo após a Anunciação, “Maria partiu apressadamente para a região montanhosa, dirigindo-se a uma cidade de Judá” (Lc 1,39), a fim de visitar e prestar seu serviço a uma anciã às vésperas do nascimento de um filho, João Batista, a respeito de quem, Zacarias, seu pai, afirma: “Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e libertou o seu povo” (Lc 1,68).

Nos Evangelhos Jesus é apresentado como a visita da ternura e da misericórdia de Deus ao seu povo. Após a ressurreição do filho da viúva de Naim, o povo glorifica a Deus, dizendo: “‘Um grande profeta surgiu entre nós’, e: ‘Deus veio visitar o seu povo’” (Lc 7.16). Jesus queixa-se da cidade de Jerusalém, porque não soube acolher a sua mensagem, “não reconhecendo o tempo em que foi visitada” pelo Messias, o Filho de Deus (cf. Lc 19,44). Por fim, os apóstolos são enviados em missão (cf. At 1,8) e após a morte e a ressurreição do Senhor Jesus, pela força do Espírito Santo, tornam-se missionários ardorosos e corajosos da Boa Nova, formando e visitando as comunidades, como o Apóstolo Paulo afirma à comunidade dos cristãos de Roma: “desejo vivamente visitar-vos” (Rm 15,23b).

Graças ao Bom Deus, em várias Paróquias da nossa querida e amada Diocese de Jundiaí, já se realizam as visitas missionárias. Dentro do Projeto das Santas Missões Populares espera-se que essas visitas sejam intensificadas, colocando nossa Igreja em estado permanente de missão. Também em nível diocesano, as recentes Visitas Pastorais que realizo nas Paróquias receberam um cunho mais missionário. Dentro da preparação do Jubileu de Ouro da nossa Diocese (6/01/2017), várias visitas missionárias aos locais de trabalho, escolas e universidades, hospitais, centros comunitários, etc., já foram programadas para este ano. No dia 1º de março já visitei uma fábrica (“Castelo Alimentos”) e uma Escola (“Colégio Divino Salvador”), ambos em Jundiaí.

Queridas irmãs e queridos irmãos diocesanos: não podemos reduzir essas visitas missionárias apenas a eventos ocasionais ou periódicos, para evitar que, quando terminam, finde também o ardor missionário e permaneça pouco daquilo que foi vivido durante a sua realização. As visitas missionárias precisam ser permanentes e contínuas. Por isso, sugiro que as nossas visitas tenham os seguintes objetivos específicos: (1º) suscitem em todos nós a experiência profunda e gratificante de sermos discípulos missionários do Senhor Jesus e que se tornem uma escola de formação dos discípulos missionários: nelas se aprende, na prática, o que é ser discípulo missionário de Jesus; (2º) revitalizem as estruturas da nossa ação evangelizadora: que ajudem nossas comunidades a terem um novo ardor missionário, passando de uma pastoral de mera conservação para uma pastoral decididamente missionária (cf. DAp. nn. 365-372); (3º) sejam encaradas e vividas na dimensão do serviço: missão é serviço, é ofertar vida plena para todos.

Que Maria, a primeira e perfeita discípula missionária de Jesus, aquela que anunciou Jesus através de sua visita a Isabel (cf. Lc 1,39-56), seja a inspiradora e animadora das nossas visitas missionárias.

E a todos abençoo.

Dom Vicente Costa
Bispo Diocesano

Fonte: www.dj.org.br

2016-06-08T22:33:54+00:00