A Paróquia 2018-10-11T15:16:48+00:00

A PARÓQUIA

A vila Hortolândia era uma vila como tantas outras, que se inicia carente de tudo, especialmente de uma capela. Em 1957, o sr. Ângelo Roveri iniciou como capelão, levando a Palavra de Deus às poucas pessoas que moravam no bairro. Fazia, de casa em casa, procissões com as imagens de Nossa Senhora Aparecida e Santa Terezinha do Menino Jesus. O catecismo foi ensinado em diversos locais: na escola da Prel, no salão do sr. Sílvio Bersele, na casa do sr. Luiz e de sua mãe, dona Júlia. E, também, nessa casa, na antiga chácara do chinês, o padre Antônio Maria Estafuzza, da Barreira (hoje Vila Rio Branco), celebrava a missa uma vez por mês.

Em 1961, foi inaugurada a capela de São Miguel (que não mais existe), com a direção do padre Antônio. Após um tempo, a vila Hortolândia passou a pertencer à paróquia do Engordadouro. Com a chegada do padre Afonso, que atuou como vigário provisório, a Hortolândia se desligou daquela paróquia.

Até fins de 1967, a vila Hortolândia era um bairro por demais carente. Sofria as mais profundas privações: bairro pobre, ruas de terra, pequenas casas construídas pelos próprios moradores, nenhuma assistência médica ou social e fama de bairro violento. Comportava duas grandes favelas, uma no jardim Shangai e outra na Santos Dumont. O armazém Santa Rosa da Família Boa, a Panificadora Jarinú, o bar do mineiro e a Farmácia do Orací eram as referências do Bairro para endereços e para a vida do povo. Também, sua população católica vivia quase que abandonada.

O rápido crescimento da população do bairro, fez com que o Bispo Dom Gabriel Paulino Bueno Couto, primeiro bispo da Diocese de Jundiaí, se preocupasse com as necessidades espirituais do povo da vila Hortolândia, pois com uma população de, aproximadamente, 20 mil habitantes, em 1967, não tinham ainda um padre para dar assistência espiritual a esse povo. Resolve, então, criar na vila Hortolândia uma paróquia e enviar junto ao povo um vigário, para conduzi-lo à fé em Jesus Cristo.

A criação da paróquia se fez em duas etapas diferentes:

A primeira etapa, foi determinar que o território da mesma seria um triângulo formados pelos rios Jundiaí e Jundiaí-Mirim, e pelos trilhos da Fepasa, a região onde morava a maioria do povo da vila Hortolândia. Assim, Dom Gabriel enviou, provisoriamente, o padre Afonso, que conduziu por cinco meses a futura paroquia.

A segunda etapa se deu com a chegada dos Religiosos de São Vicente de Paulo. Juntamente com o padre Júlio e irmão João, veio, também do Canadá, um ” jovem” de 65 anos, o padre Renato, que era o Superior Geral da Congregação, que deixou esta grande tarefa para dedicar-se aos pobres; chegando ao bairro, imediatamente começou um trabalho de evangelização na favela que ele próprio deu o nome de “Rancho Alegre”. Trabalhou por 10 anos na Paróquia até que Deus o chamou novamente e foi eleito pela segunda vez Superior Geral, desta vez em Roma, onde faleceu.

Aqui, que fique registrado a fala do padre Renato, Superior Geral da Congregação dos Religiosos, sobre como eles escolheram a vila Hortolândia para iniciar a nova missão:

“… A vila Hortolândia precisava mais do que as outras vilas de Jundiaí. Era um bairro popular, operário, pobre; uma população jovem, nova, em pleno crescimento. Uma religião aberta às novas orientações do Concílio, sob a vigilância de um bispo – homem de Deus – de visão elevada e grande.

Justamente nesta época, o grupo dos religiosos de São Vicente tinha decidido abrir dois novos campos de apostolado. A missão própria deles permitia isso somente ‘em meio suficientemente popular, possibilitando o apostolado pelas obras (o Centro Comunitário) e a colaboração do Padre e do Irmão’ (Nº 173 da Const. RSV). Ora, eles deviam escolher entre quatro pedidos: o primeiro do bispo de Maringá, PR; o segundo, de Sorocaba; e ainda, os de Presidente Prudente e Jundiaí. Os dois primeiros ofereciam paróquias do centro da cidade, até mesmo aquela da catedral de Maringá. De um modo geral, estas paróquias do centro já tem uma organização tradicional e o povo é de nível econômico bom. Fizemos uma visita rápida, encontramos o bispo e o deixamos, me lembro, sem muita esperança.

Lembro-me, que no dia de nossa primeira visita a Jundiaí, erramos o local e chegamos à vila Rami. O tamanho da Igreja nos assustou e logo descobrimos que este lugar não podia ser a pobre vila Hortolândia. De fato, após uma voltinha aqui e um encontro com Dom Gabriel, a nossa turma tinha certeza que Deus nos chamava para trabalhar com vocês. E, assim foi decidido, no fim do ano de 1967.” (Pe. Renato, rsv)

Então, no dia 1º. de Março de 1968, o padre Júlio Masson toma posse oficialmente do cargo de Vigário da recém-formada Paróquia Nossa Senhora de Fátima, na presença do Rvmo. Bispo, Dom Gabriel, de seu superior no Brasil, padre Renato e de alguns padres das paróquias vizinhas, onde todos juntos, padres e leigos, assinaram o livro tombo, o documento oficial de criação de uma paróquia, e que se acha arquivado na Cúria Diocesana de Jundiaí.

O primeiro pároco nomeado, padre Júlio Masson, andava o dia todo à pé pelo bairro, dizia: “andar muito e comer pouco, este é o segredo da boa saúde!” – Sempre agitado e rápido nas conversas, convidava o povo para construir um Centro Comunitário que serviria de Igreja e de local de encontro da população para eventos, festas, quermesses. Ajudar os pobres, visitar os doentes, animar o povo sofrido e celebrar a Eucaristia na pequena Igreja da Cidade Luiza, foram as primeiras obras destes missionários canadenses, que falavam bem o Francês, mais ou menos o Inglês e muito mal o Português.

A primeira residência foi a casa 348 da rua Dr. Ramiro Araújo Filho, em frente ao parque infantil. A segunda, foi a pequena casa número 1321 da rua Itirapina. Os dois religiosos, padre Júlio e irmão João, eram os únicos a se hospedar nessa casa que não existe mais, e que se transformou numa dependência da farmácia. Logo houve uma terceira mudança. No fim de 1971, mudaram-se para a casa do Sr. João Manzan, na rua Marília,199. Casa Grande, que foi o lar dos seminaristas. Residiram lá, até onze pessoas. Nos anos 1973-1974, a turma se separou em duas comunidades: a paroquial, que habitava o número 293 da rua Campinas; e a outra, que ficou na casa da rua Marília. Em 1975, os membros da casa voltaram a morar juntos na casa da rua Marília. E, em 1976, a paróquia comprou o terreno e construiu a atual casa paroquial – número 275 da rua Campinas.

A capela que havia lá em cima não facilitava a vida paroquial. “A pedra que os construtores rejeitaram, tornou-se pedra angular…” e sobre esta pedra angular se edificou um novo templo, corpo de Cristo, construído por todos e cada um dos batizados. Esta pedra angular rejeitada, mas escolhida por Deus, foi também aceita pelos Religiosos de São Vicente de Paulo.

Foi a convicção do padre Júlio quando ele apresentou o seu projeto: construir uma Igreja, mas uma Igreja “sobre nós”. De fato, foi a prioridade assumida pelos primeiros religiosos na Vila Hortolândia e essa prioridade marca, ainda, a pastoral de hoje – antes de tudo, anunciar Jesus Cristo, a grande resposta aos anseios dos homens.

Os RSV, têm por missão apostólica, trabalhar para favorecer a promoção humana e cristã dos meios populares, a fim de que os que frequentam as suas obras possam desempenhar seus papeis na sociedade e na Igreja. Assim, padre Júlio logo procurou iniciar a construção do Centro Comunitário, e não de uma Igreja tradicional, mas um “salão” que atenderia a necessidade espiritual e social da população. Além da vida religiosa no bairro, muitos outros serviços foram frutos da existência do Centro Comunitário. Dentre eles, destacamos: cursos de artesanato, iniciação profissional, creche, escola de corte e costura e muitos outros, sempre visando à promoção social do bairro e sempre fundamentado no seguimento do apóstolo da caridade – São Vicente.

Uma Igreja sobre nós. Vários meios foram procurados a fim de permitir a todos, crescer na fé e experimentar o amor de Deus, e formar uma comunidade cristã, a mais significante possível. “… a comunidade: uma grande família de irmãos vivendo na fé, isto é, aprendendo a mensagem de Jesus para caminhar firme na vida, unidos no amor, sobretudo pensando nos irmãos mais fracos; e, na oração, celebrando a presença de Deus na vida da gente”. Assim apareceu a catequese das crianças com um grupo de catequistas voluntários, reunindo-se no quintal da dona Egídia, perto do parque infantil e, aos poucos, nas casas.

Também, para os pais darem mais valor à vida cristã dos filhos, iniciou-se a preparação para o batismo, muita gente não entendia o porquê… ainda, em colaboração com o S.O.S., lá na Santos Dumont, foram feitos muitos cursos para gestantes, bordados, etc. Atendendo principalmente as famílias mais desprovidas. Destacamos aqui, um irmão religioso, que mais tarde se tornaria o padre Paulo André Laurier Labrosse, que era o responsável pelas atividades sociais e políticas envolvendo principalmente os jovens, motivando-os a trabalhar pelo bairro e participar das atividades da Igreja. Após 40 anos de trabalho na Diocese, sendo 30 como presbítero, padre Paulo André faleceu em dezembro de 2014, na casa Paroquial, como era o seu desejo, cantando em prosa e verso que a Igreja transformou este bairro.

A ideia de que nós somos Igreja foi entrando aos poucos junto com a construção do Centro Comunitário; símbolo das pedras vivas: nós, membros do grande Corpo de Jesus Cristo. Aos poucos, foram surgindo as reuniões de famílias de vizinhança e os famosos grupos de quarteirões, sempre mostrando a importância do ambiente cristão na família; isto despertou muitos casais para se envolverem na comunidade.

Depois dos primeiros anos, falava-se na necessidade de vocações, provindas da comunidade, para uma entrega total a serviço da evangelização do povo. Padre Cleber Polizer, da cidade de Tupã, foi o primeiro jovem brasileiro na Congregação dos RSV, teve passagem na paróquia durante sua formação; depois, o padre José Carlos Rodrigues, o padre Moacir, o Irmão Otávio e o Irmão Noé, vocações nascidas nesta paróquia para os RSV e, também, vocações para outros seguimentos como, por exemplo, o padre Maurício, filho da Carmem, paroquiana, para o clero diocesano.

“Enfim, eu me lembro que foi lançado o dízimo, para as famílias se sentirem mais ligadas na construção de uma grande corrente de fraternidade. Lembre-se, eu dizia sempre: ‘Vamos, não há problema!’ … ‘Fé em Deus e pé na tábua’; nosso Deus é grande.” (Pe. Júlio, rsv)

Após o início da paróquia, em 1974, Dom Roberto Pinarello de Almeida, abençoou e consagrou a Igreja Matriz de Nossa Senhora de Fátima, cuja placa tinha o letreiro: Centro Comunitário da Vila Hortolândia.  Cada ano o chefe da casa, o pai de família, fazia um balanço da situação, apontando alguns riscos de desvio, incentivando a dedicação das pessoas para os vários serviços da comunidade. Assim, foi-se formando a consciência de uma comunidade cristã de irmãos atendendo às necessidades de cada grupo de idade. Ia crescendo a família em número e qualidade. Para atender os jovens, começaram as reuniões regulares organizadas, os cursos de fim de semana, a Juvelândia, que muito contribuiu nas atividades da Igreja, em especial na campanha do quilo – arrecadações de alimentos que seriam revertidos às famílias mais necessitadas.

Em 1975, pronto o Centro Comunitário, nas Missas de domingo, padre Júlio dizia: “A Igreja não é o prédio, a Igreja é o Povo de Deus; precisamos formar uma comunidade”. Abertos às propostas de renovação do Concílio Vaticano II – de onde nasceram vários modos de uma renovada evangelização – padre Júlio, juntamente com o padre Jesus Prianti e Monsenhor Hamilton Bianchi, no ano de 1975, convidaram catequistas do Caminho Neocatecumenal, que estavam catequizando na Diocese de Franca, a fazerem esse novo modo de evangelização para adultos em nossa Diocese, inclusive em nossa paróquia. Iniciou-se uma caminhada que tem fornecido até os dias de hoje, um meio de evangelização profunda. Em agosto daquele ano, começaram as catequeses com catequistas estrangeiros: padre Romano, Ângelo e Maria dos Anjos e, em novembro do mesmo ano, foram formadas as duas primeiras Comunidades Neo-Catecumenais com, aproximadamente, 100 irmãos, composta por casais idosos, casais jovens e jovens solteiros. Este caminho de renovação do Batismo deu muitos frutos na Paróquia; atualmente, neste ano de 2016, são 16 comunidades com cerca de 700 irmãos participantes. Os irmãos da primeira comunidade caminham na Paróquia há mais de 40 anos.

Abriu-se também, a outros meios de evangelização e movimentos que possibilitaram aos fiéis a vivência da fé de Nosso Senhor Jesus Cristo: além das Pastorais, que estão a serviço da evangelização, há também, as conferências Vicentinas, o Apostolado da Oração, o Cursilho, o Grupo da Terceira Idade, etc.

Após a saída do padre Júlio, assumiu a Paróquia o padre Michel Proteau, também canadense, que deu grande ênfase às diversas pastorais e teve como vigário o padre Gabriel Fortier. Neste tempo foi criada a capela do Sagrado Coração de Jesus, na Vila Lacerda e foi construída, também, a capela São Vicente de Paulo, na vila Marlene; que, tempos depois, foi elevada a paróquia.

Com a transferência de padre Michel, padre Cleber Polizer, brasileiro, vocação nascida na Congregação dos RSV, que passara pela paróquia durante sua formação, assumiu a paróquia e fez grande trabalho de Evangelização através da Pregação e da participação nos sacramentos. Os Grupos de Oração, foram implantados na paróquia por intermédio da Irmã Maria Celina, IMR, no ano de 1987, quando padre Cleber era o Pároco. Padre Cleber deixou boas lembranças e foi substituído pelo padre Pedro, cujo nome real é Leo Ducharme, de nacionalidade canadense.

Padre Pedro foi o terceiro Pároco, iniciou na paróquia a “Festa da Padroeira”, com a novena de Nossa Senhora de Fátima e, a chamada por ele, FECOPAF – FESTA COMUNITÁRIA DA PADROEIRA FÁTIMA, que foram muito bem aceitas pela grande participação popular nas atividades religiosas e quermesses. Também, reformou a Igreja – vale lembrar que muitos paroquianos reclamavam a falta de aparência de Igreja do então “Centro Comunitário”. Padre Pedro teve como vigário paroquial o padre Joaquim Gonçalves Cruz que, na época, fazia parte dos RSV e que muito o ajudou nas atividades da paróquia.

O quarto pároco a assumir a paróquia foi o padre José Carlos Rodrigues, vocação nascida nesta Paróquia. Padre José Carlos teve muito zelo em todas as atividades da paróquia, especialmente pela pastoral familiar. Também, foi ele quem implantou na paróquia a pastoral da comunicação – PASCOM – em agosto de 2004, cuja primeira e principal atividade foi a edição do Informativo Paroquial, Shemá Escuta.

No final do ano de 2005 ocorreu um fato marcante, após 38 anos de missão na paróquia, a Congregação dos Religiosos de São Vicente de Paulo – RSVP – deixou a Paróquia, que foi confiada aos padres do clero diocesano.

Dom Gil Antônio Moreira, o quarto bispo da Diocese, nomeou o padre Marcilio Gragefe, como primeiro pároco do clero diocesano a assumir esta paróquia. Este deu grande ênfase à Evangelização; além de administrar o patrimônio da paróquia, construiu salas para celebrações e catequeses; atraiu muitos novos fiéis. Destacamos com o padre Marcilio, a valorização da oração da manhã nos tempos litúrgicos do Advento e Quaresma, porque, além de muitos fiéis participarem das Laudes, cantada no estilo dos “cantos gregorianos”, ele próprio participava, presidindo as orações, todos os dias, às 5h30 da manhã. Destaques também, para a elevação da cruz no alto da torre da Igreja, que facilitou a sua localização a longa distância e para o “Espaço Gourmet” nos fundos da Igreja, que se tornou apropriado para a confraternização da Comunidade nos eventos especiais, principalmente, na “Festa da Padroeira”, que ocorre entre 01 e 13 de Maio.

Em 26 de dezembro de 2011, Dom Vicente Costa deu posse como Pároco ao padre Márcio Odair Ramos, jovem e dinâmico, que Graças à Deus surpreendeu a todos atraindo inúmeros fiéis do bairro e de outros bairros para a Igreja, graças à força da pregação e acolhimento aos irmãos, com uma palavra de “Ânimo, Força e Coragem”, que se tornou o seu Lema. Reformou a casa paroquial e dotou a Igreja com sinais litúrgicos. Ficou muito próximo das crianças e dos jovens cativando-os e tornando-se amigo de todos. Chamado à nova missão na Diocese, está atualmente em Roma, dedicando-se à formação Jurídica de Direito Canônico.

Então, em 18 de setembro de 2015, tomou posse como pároco, o padre Carlos José Virillo, que foi acolhido como um Mensageiro de Deus, Pastor e Guia desta paróquia, com a missão de Governar, Ensinar e Santificar esta pequena e humilde porção do povo de Deus. Padre Carlos tem trabalhado a reorganização da paróquia para facilitar a ação evangelizadora da Igreja. Também implantou as Santas Missões Populares, que conta com a participação de muitos fiéis.

Uma paróquia é, de fato, uma comunidade de homens que, pelo batismo, estão pessoalmente unidos a Cristo e à sua missão. Hoje, a evangelização é assumida por um número sempre maior de membros de nossa comunidade, que consideram a paróquia, não somente como um lugar onde se celebram algumas cerimônias. Na paróquia, a comunidade cristã cresce e se consolida graças ao anúncio da Palavra de Deus, ao testemunho de vida que os seus membros oferecem, ao compromisso de caridade para com os que se encontram em necessidade. Assim todos contribuem para construir o reino de Deus neste mundo.